O suor frio deu lugar à euforia pura. Em uma tarde agitada na capital britânica, a seleção masculina brasileira de tênis de mesa não apenas venceu; ela escreveu seu nome nos anais da história do esporte nacional. Contra todas as probabilidades — e com o peso da torcida local contra si —, o Brasil derrotou a anfitriã Inglaterra por 3 a 2 nas oitavas de final do Campeonato Mundial de Tênis de Mesa por Equipes de 2026Londres, realizado nesta quarta-feira, 6 de maio.
Não foi uma vitória fácil. Foi um thriller. Um jogo que poderia ter terminado em qualquer direção até o último ponto. A conquista garante ao Brasil sua quinta vitória consecutiva no torneio e, talvez mais importante, iguala a melhor campanha histórica da equipe no Mundial: os oito primeiros lugares. Uma marca que não se via desde campanhas lendárias em 1949, 1952, 1959 e 2018.
Aqui está o contexto que muitos podem não estar percebendo imediatamente: jogar contra a Inglaterra em Londres, no Mundial, é diferente de jogar contra eles em casa. A pressão sobre os donos da casa é imensa. A Inglaterra, potência tradicional, vinha buscando repetir o feito glorioso de 2016, quando encerrou um jejum de 61 anos sem pódio neste mesmo torneio. Eles queriam provar que ainda eram temíveis.
Mas o Brasil chegou preparado. A estratégia foi clara desde o início: usar a experiência de seus veteranos para quebrar o ritmo adversário. E funcionou. Onde esperavam resistência, encontraram técnica pura e fria.
Para começar, quem abriu a conta foi o craque brasileiro. Hugo Calderano, jogador da Seleção Brasileira, atual quinto colocado do ranking mundial, enfrentou Tom Jarvis (66º do mundo) e não deixou dúvidas. O placar? 3 a 0, com parciais de 11-6, 11-8 e 13-11. Foi uma exibição clínica. Sem drama, sem susto. Apenas domínio técnico.
Depois, entrou Guilherme Teodoro (144º do ranking). Seu oponente era Connor Green (181º). Teodoro também venceu por 3 a 0, mas com um placar que mostra o quanto cada ponto custou: 16-14, 12-10 e 11-6. Dois sets foram decididos no tie-break ou pontos extras. Isso mostra que, embora a vitória tenha sido direta, a Inglaterra estava lutando por cada centímetro da mesa.
Com o placar em 2 a 0 para o Brasil, parecia que a festa já estava garantida. Mas o tênis de mesa é cruel. E é aqui que a história fica realmente interessante.
Leonardo Iizuka (125º do ranking) entrou em quadra com a missão de selar a classificação. Em vez disso, ele quase entregou o jogo. Perdendo por 2 a 0 para seu adversário inglês, o brasileiro teve que lutar pela sobrevivência. E lutou.
Iizuka forçou o quinto set decisivo. E lá, no clímax, estando perdendo por 6 a 4, ele virou o jogo. Com uma sequência defensiva impressionante e saques arriscados, fechou o set por 11 a 8. O placar final do confronto foi 3 a 2 para o Brasil. Os jogadores abraçaram-se, exaustos mas vitoriosos. A plateia inglesa, inicialmente hostil, aplaudiu o esforço — porque bom tênis de mesa transcende bandeiras.
Essa virada não é apenas estatística. É narrativa. Lembra aquela partida de 2018, quando o Brasil também precisou de tudo para avançar? A diferença é que agora, com Calderano liderando, a confiança parece maior.
Agora, o olhar se volta para sexta-feira, 8 de maio. O Brasil enfrenta a França pelas quartas de final, às 15h30 (horário de Brasília), em Londres. A transmissão será ao vivo pelo canal oficial da WTT (Federação Internacional de Tênis de Mesa) no YouTube.
E cuidado: a França não é bicho papão. Eles contam com os irmãos Lebrun. Félix Lebrun é o quarto do mundo. Alexis Lebrun é o décimo segundo. Flavien Coton fecha a linha como o 23º. É uma equipe jovem, rápida e extremamente perigosa. Será um teste muito diferente do aplicado pela Inglaterra.
Vale lembrar que, na fase anterior, contra o Uzbequistão, o Brasil já havia mostrado sua profundidade. Como já estava classificado, poupou Calderano. Felipe Arado, reserva, fez sua estreia no Mundial e venceu por 3 a 1, decisivamente. Teodoro e Iizuka também venceram por 3 a 0. Isso mostra que a comissão técnica tem opções — algo crucial num torneio de alta intensidade.
Além da emoção do momento, esta campanha tem um significado simbólico profundo. O Brasil nunca conquistou o título do Mundial por Equipes. Esta é a chance mais realista em décadas. Igualar a melhor campanha histórica é um passo; superar é o objetivo. Cada vitória aumenta a credibilidade do país como potência emergente no esporte.
Além disso, há o aspecto financeiro e de visibilidade. Torneios globais atraem patrocínios, atenção da mídia e inspiração para jovens atletas. Se o Brasil chegar às semifinais ou finais, o impacto no desenvolvimento do tênis de mesa nacional será significativo.
A equipe é liderada por Hugo Calderano, atualmente 5º do ranking mundial, seguido por Guilherme Teodoro (144º) e Leonardo Iizuka (125º). Felipe Arado atua como reserva estratégico, tendo estreiado recentemente no Mundial com vitória convincente contra o Uzbequistão.
Até agora, a melhor colocação era entre os oito primeiros, alcançada em 1949, 1952, 1959 e 2018. Com a vitória sobre a Inglaterra em 2026, o Brasil igualou esse recorde, mantendo viva a esperança de uma inédita conquista do título.
O Brasil enfrenta a França na quarta-feira, 8 de maio, às 15h30 (horário de Brasília), em Londres. A partida pode ser assistida gratuitamente ao vivo pelo canal oficial da WTT no YouTube.
Iizuka protagonizou uma das viradas mais dramáticas do torneio. Após perder os dois primeiros sets, ele reagiu para vencer os três seguintes, incluindo um quinto set decisivo que terminou 11-8, após estar perdendo por 6-4. Sua resiliência garantiu a classificação do Brasil.
Além de derrotar a anfitriã em casa, o Brasil superou a expectativa de muitas análises pré-torneio. A vitória consolidou a equipe como favorita emergente e demonstrou maturidade tática, especialmente ao lidar com a pressão da torcida local e a tradição inglesa no esporte.
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1 Comentários
Nicolas Andrade de Campos maio 12, 2026 AT 23:49
QUE FINAL!!!... o Iizuka é de outro planeta... como ele aguentou aquela pressão... a torcida inglesa gritando contra... e ele virou... respeito total... mas não deixem o ego inflar... ainda tem muito jogo... a França é dura... os Lebrun são monstros... não dá para baixar a guarda... precisamos continuar focados... qualquer distração é fatal... o Brasil precisa desse título... já está na hora... Calderano é nosso rei... mas sem o coletivo nada funciona... parabéns à comissão técnica... estratégia impecável... agora vem o verdadeiro teste...